sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Voz... Nossa impressão digital!



  • “A voz revela nossa identidade, assim como uma impressão digital nos identifica” (Mara Behlau).

A voz se constitui em um dos nossos principais meios de comunicação e se manifesta desde que nascemos, através do choro, do riso e do grito, sendo nosso meio básico da interação social e veículo de informação.
Muitas vezes, a voz fala mais do que as palavras e revela dados importantes sobre nós, como nossas características físicas (sexo, idade, saúde), sócio educacionais, (tanto sociais como profissionais) e também psicológicas, (como traços de nossa personalidade e estado emocional).
Formamos uma identidade vocal ao longo de nossa vida, que é fruto da nossa história e também reflexo de um momento específico que estamos vivendo: Se estamos alegres ou tristes, nossa voz muda!
Podemos até dizer que temos “várias vozes” e dependendo da situação, do interlocutor e do nosso estado mental e psicológico usamos diferentes qualidades vocais, porém alguns traços sempre se mantêm que é o que nos identifica. Assim... modificamos nossa voz para falar com uma criança, ou com um cônjuge, ou ainda para falar com nosso chefe... isto é um bom sinal, significa que estamos em sintonia com nosso interlocutor e que nossas estruturas realizam os ajustes necessários a tais mudanças.
Você já parou para ouvir e pensar em sua voz?
Algumas pessoas têm uma boa imagem de si como falante e gostam de sua voz, outras não e algumas nunca pararam para “ouvi-la”.
È importante saber que a percepção que temos da nossa voz é diferente da percepção que os outros têm. Um dos motivos dessa diferença é porque ouvimos nossa própria voz por dois caminhos, via externa e via interna, sendo que por esta via o som fica mais grave (grosso). Por outro lado, os outros ouvem-nos apenas por via externa, portanto ouvem uma voz mais aguda (fina). Assim, se quisermos mesmo conhecer nossa voz, devemos ouvi-la gravada.

Para exemplificar o texto, cito abaixo alguns exemplos de “Vozes” e como estas podem ser interpretadas pelos ouvintes.


  • Voz do falante = Interpretação do ouvinte

  • Voz rouca = Cansaço, estresse, esgotamento

  • Voz soprosa = Fraqueza, mas também sensualidade

  • Voz infantilizada = Ingenuidade ou falta de maturidade emocional

  • Voz grave = Indivíduo enérgico e autoritário

  • Voz aguda = Indivíduo submisso, dependente, infantil ou frágil.

  • (Retirado do livro: Behlau & Inês “Higiene vocal: Cuidando da voz”)

Sabemos, então, que nossa voz causa grande impacto sobre o ouvinte e através dela podemos influenciar e sermos influenciados, portanto conhecer nosso modo de falar significa conhecer melhor a nós mesmos. Isto também significa que poderemos cuidar melhor de nossa saúde vocal e dos nossos relacionamentos.

Por Leiza Lencioni Prado Leite, Fonoaudióloga

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